O argumento cosmológico reúne diferentes linhas de raciocínio filosófico que partem da existência do universo, da causalidade ou da contingência para defender a existência de uma causa primeira, fundamento necessário ou ser cuja existência não dependa de outro.
Em resumo
- Não existe apenas um argumento cosmológico, mas várias formas.
- As versões clássicas aparecem em Aristóteles, Tomás de Aquino e Leibniz.
- Formulações contemporâneas incluem o argumento cosmológico kalam.
- O argumento procura explicar por que existe algo em vez de nada e por que a cadeia de explicações não pode ser indefinidamente dependente.
- Críticas discutem causalidade, regressão infinita, necessidade e a passagem de uma causa primeira ao Deus do teísmo.
A questão fundamental
O argumento parte de uma pergunta simples e profunda: por que existe algo em vez de nada? Se seres e eventos existem de modo dependente, seria necessário um fundamento último que não dependa de outro da mesma maneira.
Aristóteles e o primeiro motor
Aristóteles argumentou em favor de um primeiro motor imóvel como explicação do movimento. Seu conceito não corresponde em todos os aspectos ao Deus pessoal do teísmo bíblico, mas influenciou profundamente a tradição filosófica posterior.
Tomás de Aquino
Nas chamadas Cinco Vias, Tomás apresenta argumentos a partir do movimento, da causalidade eficiente e da contingência. Sua preocupação não é apenas encontrar um primeiro evento no passado, mas explicar a dependência atual dos seres.
Leibniz e a razão suficiente
Leibniz formula o problema em termos de contingência. Tudo o que é contingente poderia não existir e, portanto, requer uma explicação. A totalidade dos seres contingentes não encontraria explicação suficiente em si mesma; seria necessário um ser necessário.
O argumento kalam
Uma formulação contemporânea bastante conhecida afirma: tudo o que começa a existir tem uma causa; o universo começou a existir; portanto, o universo tem uma causa. A discussão concentra-se especialmente na segunda premissa e no significado filosófico de um começo do universo.
Principais objeções
Críticos perguntam por que o universo não poderia ser um fato bruto, se uma regressão infinita seria realmente impossível ou se a causalidade pode ser aplicada além do universo físico. Outra objeção questiona se o argumento chega ao Deus pessoal, bom e revelado pelas tradições teístas.
Defensores respondem que o argumento não pretende demonstrar sozinho todas as doutrinas do teísmo, mas estabelecer um fundamento metafísico que pode ser desenvolvido em conjunto com outros argumentos.
Relação com a teologia cristã
A doutrina cristã da criação afirma que Deus é distinto do universo e que todas as coisas dependem dele. O argumento cosmológico pode funcionar como reflexão filosófica compatível com essa doutrina, mas não substitui a revelação bíblica.
Conclusão
O argumento cosmológico permanece uma das famílias de argumentos mais influentes da filosofia da religião. Seu valor está em levar a sério a questão da dependência do universo e da necessidade de uma explicação última.
Bibliografia básica
- AQUINO, Tomás de. Suma Teológica.
- LEIBNIZ, G. W. Princípios da Natureza e da Graça.
- CRAIG, William Lane. The Kalam Cosmological Argument.
Verbetes relacionados
Teísmo; Causa Primeira; Contingência; Argumento Teleológico; Existência de Deus; Filosofia da Religião.