O islamismo é uma religião monoteísta surgida na Península Arábica no século VII, ligada à pregação de Maomé e ao texto do Alcorão. Seus seguidores são chamados muçulmanos, e o Islã tornou-se uma das maiores tradições religiosas do mundo.
Em resumo
- O Islã surgiu no século VII na Arábia.
- Maomé é considerado pelos muçulmanos o último de uma sequência de profetas.
- O Alcorão é considerado revelação divina central.
- O Islã afirma monoteísmo rigoroso e rejeita a doutrina cristã da Trindade.
- Existem grandes tradições internas, especialmente sunismo e xiismo.
Origem histórica
Segundo a tradição islâmica, Maomé começou a receber revelações por volta de 610 d.C. em Meca. Sua mensagem enfatizava a unicidade de Deus, o juízo final, arrependimento e responsabilidade moral.
A migração de Maomé e seus seguidores para Medina, em 622, marca o início do calendário islâmico. Ao longo das décadas seguintes, a comunidade muçulmana cresceu política e religiosamente.
Alá e o monoteísmo
O termo árabe Allah significa Deus e também é utilizado por cristãos de língua árabe. O Islã enfatiza o tawhid, a absoluta unicidade de Deus.
Essa convicção leva a uma rejeição explícita da compreensão cristã da Trindade, que muçulmanos frequentemente interpretam como ameaça à unidade divina. Cristãos, por sua vez, afirmam que a doutrina trinitária mantém um único Deus em três pessoas.
O Alcorão
Muçulmanos entendem o Alcorão como revelação de Deus transmitida a Maomé. O texto ocupa posição central na fé, liturgia e vida religiosa islâmica.
Além do Alcorão, tradições sobre palavras e atos de Maomé, conhecidas como hadith, desempenham papel importante na interpretação e na formação da lei e da prática islâmica.
Os cinco pilares
Uma apresentação comum da prática islâmica destaca cinco pilares: confissão de fé, oração ritual, esmola, jejum durante o Ramadã e peregrinação a Meca para quem possui condições de realizá-la.
Jesus no Islã
Jesus, chamado Isa, é respeitado no Islã como profeta e Messias, mas não é confessado como Filho divino no sentido cristão. O Islã também apresenta uma compreensão da crucificação diferente daquela sustentada pelo cristianismo histórico.
Sunismo e xiismo
A principal divisão histórica do Islã surgiu em torno da sucessão de liderança após a morte de Maomé. Sunitas e xiitas compartilham crenças centrais, mas desenvolveram tradições distintas de autoridade, jurisprudência e espiritualidade.
Relações com o cristianismo
Cristianismo e Islã compartilham referências a Abraão, profetas, juízo final, oração e moralidade, mas divergem em pontos centrais como Trindade, identidade de Jesus, cruz, ressurreição e natureza da revelação.
O estudo comparativo exige evitar caricaturas. As duas tradições possuem grande diversidade interna e longa história de encontros, debates, conflitos e cooperação.
Conclusão
O Islã constitui uma tradição religiosa complexa, com história, teologia e práticas próprias. Para o estudo cristão das religiões, compreendê-lo com precisão histórica e respeito é condição para qualquer comparação responsável.
Bibliografia básica
- ESPOSITO, John L. Islam: The Straight Path.
- PETERS, F. E. Islam: A Guide for Jews and Christians.
- WOODBERRY, J. Dudley (org.). Muslims and Christians on the Emmaus Road.
Verbetes relacionados
Maomé; Alcorão; Sunismo; Xiismo; Monoteísmo; Trindade; Religiões Abraâmicas.